Acidentes com Tratores

Acidentes com Tratores

Em Portugal o número de acidentes de trabalho nas atividades agrícolas/florestais tem aumentado todos os anos, e com isso o número de vítimas, quer ligeiras quer mortais.

Os tratores agrícolas e florestais são veículos com motor suscetível de fornecer um elevado esforço de tração, relativamente ao seu peso, mesmo em pisos com fracas condições de aderência.

Construídos principalmente para puxar, empurrar, levantar e acionar máquinas e equipamentos destinados aos trabalhos agrícolas e florestais (ex: charrua, fresa, semeador, reboque…), os tratores agrícolas e florestais têm, de um modo geral, como órgãos de propulsão, as rodas (podendo ser de duas ou de quatro rodas motrizes) ou lagartas.

O trator é, por si só, uma máquina perigosa, dado ter aproximadamente 65% do peso no eixo traseiro, distribuindo-se os restantes 35% pelo eixo dianteiro. Esta diferença de peso significativa entre os dois eixos potencia o capotamento do veículo.

As máquinas e os tratores são responsáveis pela maioria dos acidentes de trabalho agrícola e florestal, sendo Portugal o segundo país da Europa com mais acidentes com tratores.

Entre as principais causas dos acidentes com tratores agrícolas e florestais, segundo a CNA, estão o cansaço, a rotina, excesso de confiança, falta de proteção anticapotamento, antiguidade do veículo e o consumo de álcool.

Ao longo dos anos têm vindo a apurar-se as responsabilidades sociais para solucionar o problema e realizadas sessões de esclarecimento que pretendem promover a formação dos agricultores, elucidar as boas práticas e melhorar a segurança na utilização das máquinas e veículos agrícolas.

Veja: Formação Obrigatória


RELATÓRIOS DE SINISTRALIDADE AQUI

A grande maioria das vítimas de tratores pertencem a microempresas, maioritariamente do sexo masculino. As causas mais comuns são a perda total ou parcial do controlo da máquina (73%), ocorrendo o sinistro maioritariamente por esmagamento, com uma representatividade de 60% (ACT). Cerca de 70% dos acidentes com tratores ocorreram em caminhos rurais, seguindo-se as estradas nacionais (18%) e estradas municipais (12%), segundo dados da ANSR, acrescentando ainda que 17% dos acidentados acusaram álcool no sangue, dos quais 10% com uma taxa igual ou superior a 0,5 g/l.

São identificados entre os riscos mais frequentes, para além do esmagamento causado pela perda parcial ou total do controlo da máquina, os seguintes:

❗Reviramento lateral do trator ou do conjunto trator máquina agrícola/florestal;
❗O empinamento traseiro, quando o trator fica descompensado com o peso da máquina colocada na sua traseira;
❗A queda em altura: acesso ao trator ou à máquina agrícola/florestal;
❗Corte/cisalhamento/choque ou impacto: em material cortante (ex: facas de fresas), no fecho dos taipais laterais e/ou posteriores;
❗Enrolamento: nos veios de transmissão de cardans, nas partes móveis das máquinas (carretos, correias, correntes);
❗Atropelamento: durante a circulação de tratores, durante o engate das máquinas, presença de crianças e idosos;
❗Projeção: projeção de peças partidas, pedras, material cortante (ex: cortamatos e gadanheiras rotativas);
❗Inércia: nas máquinas que tenham volantes de inércia onde o tempo de paragem é superior (ex: enfardadeiras).

Relativamente às medidas de prevenção para os fabricantes, a ACT aconselha aos fabricantes a colocação de um sistema de retenção (obrigatória a aplicação de cintos de segurança nalguns modelos de tratores); a proteção de veios telescópicos de cardans; luz avisadora de marcha-lenta (pirilampo); colocação de espelhos retrovisores. Os novos tratores deverão estar equipados estruturas de segurança homologadas, como um arco (rebatível ou não), um quadro (por vezes coberto com uma capota), ou uma cabina (estrutura de segurança mais complexa e sofisticada).

Formação Obrigatória COTS

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